Fly fishing para iniciantes · Parte 3
O que separa quem pega peixe
Você já viu como escolher o equipamento. Já viu como fazer o arremesso. Agora vem a parte que quase ninguém conta — e é a que decide a pescaria.
Onde isso começou
Eu aprendi em 1994, com flashes de poucos segundos
ESPN Outdoors passando um trecho de fly aqui e ali. Fotos em revista. Fitas de VHS em inglês — e eu ainda estava aprendendo inglês.
Naquela época eu não tinha praticamente ninguém para trocar ideia sobre pesca com fly. Cinco pessoas que pescavam bem com fly no Brasil já era muito.
Hoje tem milhares.
Anos 90 · O robalo no mangue
A gente ia pescar com o meu tio. Parava o barco, soltava a âncora, e ficava pescando robalo no mangue. E mangue é cheio de estrutura.
Ele pescava de molinete. Eu estava ali começando com fly, só com o que tinha visto na televisão. E eu arremessava com medo de enroscar — porque se eu enroscasse e não conseguisse tirar a isca, ela ia ficar lá até os peixes pararem de bater.
E às vezes ficava horas batendo peixe. Ele arremessava e pegava, arremessava e pegava, arremessava e pegava. E eu ali, querendo aprender aquilo sem ajuda, sem ninguém para dizer "muda isso, muda aquilo". Sem um vídeo no celular para eu ver o que estava fazendo errado.
Eu arremessava com medo de errar. Mas eu colocava a minha isca lá. De 10 arremessos, eu acertava 2. Dos 2, 1 pegava um robalinho.
Anos 90 · O lago dos black bass
Tinha uma chácara com um lago cheio de black bass. Eu não tinha barco, não tinha motor elétrico, não tinha nada. Meu pai me deixava na beira e eu caminhava em volta do lago pescando.
Mas não era um lugar limpo. Tinha árvore, tinha mato. Eu tinha que me virar para o arremesso cair lá no fundo daquela grota — porque black bass sempre fica no fundo das grotas.
Só que eu não podia chegar perto: se eu chegasse, eles me viam. E se eu ficasse muito longe, o vento empurrava a minha isca para dentro do mato, travava, e podia quebrar a vara.
Então eu tive que aprender vários tipos de arremesso. Loops bem fechados, bem rápidos, para quebrar o vento e colocar a isca na cara do black bass. Mesmo assim foram várias iscas enroscadas, vários líderes estourados no mato.
1998 · Colorado
Quatro anos depois eu fui pescar nos Estados Unidos. Estava com o guia, chegou um amigo dele para trocar ideia, e eu olhei: uma trutona subindo do outro lado do rio. Uns 15 metros. Uma esquinha minúscula, e ela comendo.
Saí de perto do guia, fiz o meu arremesso. A isca caiu bem na linha de alimentação dela. Ela subiu, pegou, briguei. O guia virou e falou: "trutona — você nem precisa de guia".
Quatro anos. Saí do medo de arremessar para não enroscar e cheguei a colocar uma isca minúscula a 15, 16 metros na cara de uma truta grande. Foi rápido, mas não foi do dia para a noite. Foi lutado.
Por que o equipamento importa
Tudo tem que estar harmônico
O equipamento, além de ser uma coisa bonita — a gente gosta de ver, de brincar, de ficar sonhando — tem que te entregar um nível de qualidade para você ter um bom desenvolvimento na pesca.
Se você comprar um equipamento muito fraquinho, ele vai te segurar. Você quer fazer o arremesso e ele não deixa.
Uma linha boa, com um bom desenho, com o peso correto para a vara que você comprou, para o ambiente onde você quer pescar, para o peixe que você quer pegar.
Peixe muito grande para o equipamento: você vai apanhar. O peixe vai te bater.
Peixe pequeno numa vara grande: você não vai sentir nada. Não tem diversão. É capaz de você arremessar o peixe.
A vara em harmonia com a linha. A linha em harmonia com o peixe. O peixe em harmonia com o ambiente. Aí você tem resultado.
E o arremesso é o que faz toda essa ferramentaria colocar a sua isca onde ela precisa estar.
Não adianta você ter uma isca atada com pelo do último veado albino do universo, com o anzol afiado pelo Conan, o Bárbaro. Se a isca está lá e o peixe está aqui — esquece.
O grande segredo
A conexão com o ambiente
Aqui é onde tudo se junta. E é a parte que menos gente trabalha.
Você precisa estar em sintonia com o teu ambiente. Em harmonia com ele. Conectado.
Meu avô
Isso eu aprendi com ele. Era um cara que olhava para o céu, olhava para a água e falava: é melhor a gente ir embora porque vai chover.
Mas o céu estava azul.
Dava 20 minutos e vinha aquela tempestade preta, com raio. Meu Deus do céu, o cara é um bruxo.
Não era bruxo. Ele aprendeu ao longo do tempo a ver a natureza, a sentir a natureza, a ouvir a natureza. Sentir a água. Ver o comportamento dos passarinhos. Até o comportamento do peixe.
Muita gente fala: pescaria é ver os passarinhos, é amizade, é ver coisa bonita, é desligar a cabeça, ficar offline. Tudo bem, eu concordo, tudo isso é importante.
Mas se você não pegar peixe, a pescaria não tem sentido.
Se você não pegar peixe, é ecoturismo mexendo numa vara. Não é pescaria.
Pescaria é pegar peixe.
Sem conexão, o resto não salva
Você pode ter a melhor vara. Pode ter o melhor arremesso. Mas se você está arremessando numa água que não tem peixe, numa maré completamente fora, num baixio ou numa água super alta — não tem peixe ali, cara.
"Não, eu estou pescando." Não. Você está perdido.
Essa conexão você precisa trabalhar ao longo do tempo. Desligar um pouco do celular e se ligar mais na natureza. Você é pescador, você já deve ter pelo menos um pouquinho disso. Agora é desenvolver esse feeling, essa intuição, essa coisa dos antigos que está se perdendo.
Essa é a conexão antes da conexão. Primeiro você conecta com o ambiente. Depois você conecta com o peixe.
Com a capacidade de conexão trabalhada, com um equipamento bem montado e com o arremesso bem feito, você tem uma chance muito maior de conectar com o peixe.
E se você quiser aprender isso comigo
O treinamento
O método passo a passo do arremesso de fly
Se eu aprendi a arremessar em 1994 só com flashes de ESPN Outdoors, fotos de revista e fita de VHS em inglês, você pode aprender com um treinamento feito para isso.
É o mesmo método que me deu esses resultados nas minhas pescarias, e que está dando resultado para vários pescadores e pescadoras Brasil afora.
- 100% online, com acesso vitalício
- Os movimentos corretos e as posturas corretas
- Como segurar a vara
- Como fazer a ponta da vara trabalhar
- Como fazer a parte do meio trabalhar
- Como fazer o butt da vara trabalhar
- Grupo de WhatsApp para trocar ideia com outros pescadores
Comparando
Por que online e não presencial
Dez pessoas na turma. O instrutor passa no máximo 20 minutos do seu lado. Você faz uns arremessos, ele fala "arruma isso aqui, arruma isso ali", e vai para o próximo.
Você gasta o sábado, às vezes o domingo. Gasolina, almoço, deslocamento. E nunca mais consegue rever o que foi dito.
Você aprende na hora que quiser. Viajando, no avião, no ônibus, em casa depois do almoço.
E revê quantas vezes precisar. Movimento se aprende repetindo — e repetir é exatamente o que um curso presencial não deixa você fazer.
Sobre o custo, pense assim: o iniciante que pega uma vara nova sem a informação correta quebra uma ponta de vara rapidamente. E estraga uma linha de fly rapidamente também — fazendo o movimento errado, torcendo a linha, deixando a linha como uma mola.
O treinamento custa menos do que mandar arrumar uma ponta de vara quebrada. E menos do que a metade de uma linha estragada.
7 dias de garantia
Se você se inscrever e não gostar, é só mandar um e-mail que a gente devolve o seu dinheiro. Você não corre risco nenhum.
Bônus incluído
Como escolher equipamento sem jogar dinheiro fora
Junto com o treinamento vai um bônus em que eu ensino a escolher os melhores equipamentos da maneira correta — e a fazer os conjuntos ficarem show na sua mão.
Como escolher para evitar gastar dinheiro com porcaria que não vale nada. Como comprar equipamento que faz sintonia e te ajuda a pegar peixe, em vez de te segurar.
Serve para o seu primeiro conjunto, para o seu oitavo e para o seu vigésimo. É sempre a mesma métrica.
A partir daqui
Você tem três caminhos
Ignorar tudo isso
Comprar o material errado, fazer o arremesso errado e não pegar peixe por muito tempo. Se frustrar, desistir do fly e sair falando que fly é ruim.
Tentar aprender sozinho
Procurar informação picada na internet, comprar equipamento errado, se esforçar muito para conseguir um arremessinho mais ou menos. Levar anos, encher a casa de equipamento que não faz sentido, pescar muito pouco — e nunca descobrir a verdadeira pesca com fly.
Seguir um passo a passo validado
Aprender rapidamente a escolher o equipamento correto, montar o conjunto correto e usar esse equipamento corretamente. Fazer arremessos bem feitos e pescar de verdade — na primeira, na segunda, na décima, na vigésima pescaria. Virar um pescador com fly.
(41) 99687-7908 · Thiago Zanetti · fly fishing desde 1994
Conteúdo por Thiago Zanetti, Fly Shop Brasil. Vivendo nos catálogos de fly fishing desde 1994.
Esta sequência: 1. Como escolher seu equipamento · 2. O arremesso de fly · 3. O que separa quem pega peixe
Resultados variam conforme o local de pesca, a espécie, as condições do dia e a dedicação de cada pescador. As histórias relatadas são experiências pessoais.


